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Colégios se preparam para novatos
Na acolhida aos novatos, escolas fazem
atividades coletivas, jogos e visitas monitoradas com os
pais
Primeiro dia de aula. Alunos se sentam em
círculo. A professora pega um rolo de barbante e começa o
jogo: conta um pouco sobre quem é e o que gosta de fazer. Ela
segura o fio e joga o rolo para uma das crianças, que tem de
repetir a brincadeira. Assim é feito até que todos falem de si
e, no fim, o barbante forme uma espécie de teia. A professora
explica: “A teia representa a nossa união durante o ano todo”.
Essa é uma das atividades do Colégio Santa Maria, no Jardim
Marajoara, Zona Sul, não apenas para estimular a participação
dos estudantes na classe, mas também para acolher aqueles que
estão passando pelo desafio de mudar de escola. As
instituições de ensino da capital têm preparado programas
especiais para facilitar a integração.
No Santa Maria,
a adaptação começa antes das aulas. Os alunos novos são
convidados a conhecer a escola e os pais participam de
reuniões. No início do ano letivo, os estudantes fazem
atividades em grupo para estimular o espírito coletivo. “O
professor tem de estar com o olhar muito atento para que a
criança se sinta realmente acolhida”, observa a professora do
ensino fundamental Márcia Rodrigues Almirall.
Larissa
Ribeiro Pinto Consoli, de 11 anos, foi matriculada no colégio
no ano passado e participou da atividade da teia de barbante.
“Aí a gente pôde conhecer um pouquinho de cada um”, conta.
Antes disso, a menina visitou a escola com os pais. “Eu adorei
logo à primeira vista!”
A mudança ocorreu porque os
pais de Larissa não estavam satisfeitos com o método de ensino
do colégio anterior. O pai da garota, o engenheiro elétrico
Marco Antônio Consoli, acredita que, nessa fase de transição
de uma escola para outra, as crianças têm de se sentir bem na
convivência com outros alunos, professores e funcionários. “A
escola dá bastante suporte e minha filha teve facilidade para
fazer novas amizades. Não houve problemas”, conta
ele.
A economista Silvana Gonçalves estava mais tensa
com a troca de escola do que o próprio filho, João Pedro, de 7
anos. Foi uma mudança difícil, pois ocorreu no meio do ano
letivo, em agosto passado. No primeiro dia de aula, ela até
estava disposta a ficar com o garoto durante o período todo,
mas João Pedro foi categórico em pedir que a mãe fosse embora.
“Realmente ele ficou numa boa, foi uma surpresa para a gente.”
Mesmo com João Pedro gostando da escola antiga, a
família sentiu que ele não estava se adaptando ao método
construtivista liberal da instituição e não estava se
alfabetizando corretamente. Silvana conta que, já em abril,
procurou orientação pedagógica e partiu em busca de outra
escola. Na pesquisa, encontrou tanto colégios liberais quanto
conservadores. Acabou optando por aquele considerado um meio
termo: a Escola Carlitos, em Higienópolis, na Zona Oeste. E
João Pedro integrou-se facilmente. “Estou gostando muito.
Estou muito ansioso para começar as aulas.”
A
coordenadora pedagógica da escola, Laura Piteri, conta que a
adaptação com o novo ambiente é feita de modo gradual. Nos
primeiros dias, por exemplo, a carga horária do aluno vai
aumentando aos poucos, até a criança se acostumar e ficar o
período completo na aula. Além da entrevista com os pais, a
participação deles também está em levar o filho até a classe.
“Às vezes, a criança está tão apavorada que não consegue nem
entrar na sala de aula”, diz.
No Colégio Miguel de
Cervantes, no Morumbi, na Zona Sul, desde o ano passado, a
exemplo dos professores tutores, teve início o sistema de
minitutoria de alunos. Os estudantes mais antigos recebem os
novatos para acolhê-los e familiarizá-los nas primeiras
semanas. “É uma forma de o aluno novo estabelecer um vínculo”,
diz a diretora pedagógica, Amélia Salazar.
Igor Giannasi
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